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A Paralisia de Análise Constante

Quando você estiver lendo isso, eu provavelmente já editei/reescrevi esse artigo 10 vezes. Provavelmente ele estava pronto a dias e eu estava com medo de publicá-lo, ou a ansiedade de publicar era muito dolorosa. Me desculpem a demora, mesmo eu não tendo falado pra ninguém que estava escrevendo isso.


Se você é um cara produtivo, você provavelmente não sabe o que é isso. Se você for como eu, provavelmente você sofre disso pelo menos uma vez ao dia.

Se você ainda não sabe do que eu to falando, esse nome bonito que eu inventei para esse artigo, é o que eu costumo chamar de:

pensar em todos os cenários possíveis e não tomar nenhuma ação, por medo, ansiedade ou querer fazer tudo ao mesmo tempo e acabar não fazendo nada.

É a sensação de ter diversas opções para escolher, onde cada uma te leva a um caminho desconhecido enquanto tem um cara apontando uma arma na sua cabeça mandando você escolher uma das opções. Na maioria das vezes ainda escolhemos as erradas, pois somos tomados por esse sentimento de euforia, ansiedade e medo constante sobre o que os outros vão falar a respeito ou quando você já faz pensando em refazer.

É como você estar jogando xadrez contra você mesmo, onde você precisa pensar em várias jogadas num período curto de tempo, onde quem ganha ou perde, é você mesmo.

Eu sofro de ansiedade, isso é uma constante na minha vida, sofro desde pequeno. Se você olhar para as minhas unhas, você consegue ver parte do reflexo que isso tem em mim. É como se meu cérebro desse prioridade aos meus medos e desejos ao invés de minhas responsabilidades e tarefas mais urgentes.

Planos a longo prazo? Uma tortura. Tomar decisões importantes que tem grande impacto? É dar tiro no pé. Esperar algo ou alguém? Prefiro morrer.

Eu juro pra vocês, eu as vezes enrolo em fazer uma anotação porque eu não sei qual caneta usar ou se escrevo de forma cursiva ou com letrinha de forma.

Eu me lembro de 10 anos atrás quando eu era apenas um iniciante e entusiasta desse mundo de desenvolvimento web, onde não existiam muitas opções para se desenvolver para web. As opções mais comuns eram PHP, Java e tinha ainda os “cool kids” que usavam Adobe Flash. Era como se a web fosse um diamante mas ainda estivesse em sua forma bruta. O sentimento de euforia não existia, pelo menos não comigo.

Hoje, em meio a tantas opções de bibliotecas, arquiteturas, frameworks, linguagens, é muito difícil começar qualquer projeto se você não for uma pessoa muito objetiva e orientada a resultados. Eu sofria muito com isso, muito porque eu sempre queria usar a melhor ferramenta e mais atual, mas não sabia diferenciar “tendências” de “melhor ferramenta” pro trabalho.

Mas eu só quero começar!

Era isso que eu falava para mim mesmo depois de agonizar com tantas opções. Parecia aquelas cenas de filme quando o escritor está sem idéias, ele começa escrevendo e depois apaga tudo. O que fazer?

Feito é melhor que perfeito.

Sheryl Sandberg (COO do Facebook)

Por mais simples e idiota que isso pareça, esse foi um processo de adaptação bizarro que eu precisei passar. Uma reeducação mental de como eu enxergava todas as minhas tarefas. E tem dado certo!

A cada novo projeto, eu tento ao máximo selecionar as melhores ferramentas, e me obrigo a continuar com elas independente de surgir uma nova tendência que os garotos descolados estão usando ou falando. Faço isso até a entrega do projeto ou até quando surgir uma necessidade real para repensar alguma arquitetura.

Também aceito o fato de que o resultado não precisa ser perfeito, precisa ser funcional, entregar o que foi pedido. Eu sei que dói, mas até o próprio Steve Jobs recebia uns “nãos” de vez em quando.

Por último, não tentar abraçar o mundo sozinho, ainda mais se estiver trabalhando em equipe. Já está provado que nosso cérebro não é multi-thread. Tentar fazer tudo ao mesmo tempo, nos leva a uma sobrecarga e fadiga mental, que não nos deixa concluir nada.

Aceite esse conselho de uma pessoa totalmente ansiosa e dispersa. Comece a fazer, faça mais, seja mais simples e priorize resultados.


E se você tiver uma história pra compartilhar ou alguma técnica pra trabalhar esses problemas, comenta aqui em baixo, eu vou adorar ler e aprender com você. Você não está sozinho(a).